quinta-feira, julho 27, 2006

Sentado em casa, a perder horas,
a paciência é a metáfora
que se fecha e tranca
na chegada que ainda dura,
imensa, lânguida.

O não ser blindada
faz-me lembrar uma flor
com menos muitas pétalas,
ao descascar uma distância
de menos uma calma.

A pessoa e a carne capturadas
amplificam-se selectivamente
por sob a matéria moderna
que lhes faz sombra.
A hora esquece-se de mim.

Abandonada pelo pulsar,
a solidez é uma lâmina inútil
e nela, vaga, espreita
a imagem outra do desperdício,
hóspede num compartimento.

Quase encerrado aos que vêm,
mesmo que de um país inteiro,
alberga a ferrugem das chaves,
definido, e quase a estima
com a arquitectura acumulada.

É realidade,
o nome que figura
na placa que não é dianteira.
Embrião da indiferença,
o único contra-dialecto.

segunda-feira, julho 24, 2006

Aí ficaram dois pequenos contornos esquecidos. Inspeccionem também as minhas partes alheias, transcrive mais algumas.
De dia 7:

A nós, privilegiados num ápice,
como nos sabe a pouco o português.
Como nos é poeira o dialecto.

Odeio alguém. Já não sei quem.
Os meus sentimentos são cacos
sem rótulo antigo nem inscrição.

Este poema é a mesma coisa,
um conjunto de fragmentos
do pensamento partido, rescaldo.

Fica apenas a escrita empilhada
de quem não tem mais nada para fazer,
e a noção patente de ela ter um sentido,

um sentido distante, sem as forças
para impôr a ordem à confusão,
que talvez seja o agora face às horas acumuladas.
De dia 6:

Perpasso. Pelas áleas da separação atenta, almejo o veículo situação. Mas não sei como endereçar o momento, na réplica da correspondência a que me alio. Fervilho sem assinatura na caixa postal do anonimato, mal preparado para a viagem frigideira.